O que é fissura anal
A fissura anal é um corte ou ferida na pele que reveste o canal anal. Costuma surgir depois da passagem de fezes endurecidas ou de episódios de diarreia. A dor provoca contração do esfíncter anal, o que reduz a circulação no local e dificulta a cicatrização. Forma-se um ciclo de dor, contração e nova lesão.
Sintomas
- Dor forte ao evacuar, descrita como corte ou queimação, que pode durar minutos ou horas.
- Pequena quantidade de sangue vermelho vivo no papel.
- Medo de evacuar, que piora a constipação.
- Nas fissuras crônicas, um pequeno nódulo de pele na borda do ânus (plicoma sentinela).
Fissura aguda e fissura crônica
| Aguda | Crônica | |
|---|---|---|
| Tempo | Poucas semanas | Mais de seis a oito semanas, ou episódios repetidos |
| Aspecto | Ferida superficial | Ferida mais profunda, com bordas endurecidas e plicoma |
| Tratamento habitual | Clínico | Clínico, toxina botulínica ou cirurgia, conforme o caso |
Fissuras em posição incomum, múltiplas ou que não cicatrizam podem estar ligadas a outras doenças, como a doença de Crohn, e pedem investigação.
Tratamento clínico
- Fibras e água para manter as fezes macias.
- Banhos de assento com água morna, que relaxam o esfíncter.
- Higiene delicada, sem atrito.
- Pomadas que relaxam o esfíncter e analgésicos, quando prescritos.
Como complemento, pode ser usada o laser de baixa potência, uma aplicação que não dói e visa favorecer a cicatrização. Os estudos ainda são iniciais.
A maior parte das fissuras agudas cicatriza com essas medidas. O tratamento precisa ser mantido pelo tempo orientado, mesmo depois que a dor melhora.
Toxina botulínica
Em casos selecionados de fissura crônica, a toxina botulínica pode ser aplicada no esfíncter anal. Ela reduz temporariamente a contração do músculo, o que favorece a cicatrização.
O efeito dura alguns meses. A fissura pode voltar, e pode haver efeitos passageiros, como escape de gases. A indicação depende do exame e das características de cada caso.
Tratamento cirúrgico
Quando a fissura crônica não responde às outras medidas, a cirurgia pode ser indicada. A técnica mais usada é a esfincterotomia lateral interna, um pequeno corte em parte do esfíncter interno que reduz a pressão no canal anal.
É o tratamento com maior taxa de cicatrização. O principal risco é a alteração da continência, em geral para gases, que ocorre em uma minoria dos casos e é levada em conta na indicação. Em situações específicas, outras técnicas são preferidas.
Uso de laser
No tratamento cirúrgico da fissura, o laser de CO₂ pode ser usado como instrumento de corte. Ele não muda a natureza da cirurgia: os riscos, os cuidados e a possibilidade de recorrência continuam os mesmos.
Laser de CO₂ e laser de diodo são tecnologias diferentes, com usos próprios. Veja a página sobre laser na coloproctologia.
Recuperação e recorrência
O tempo de cicatrização varia de pessoa para pessoa e conforme o tratamento. A fissura pode voltar depois de qualquer um deles, principalmente se a constipação persistir. Manter o hábito intestinal regular é parte do tratamento.
Dúvidas frequentes
Como diferenciar fissura de hemorroida?
A fissura costuma causar dor intensa ao evacuar, com pouco sangue. A hemorroida interna costuma sangrar sem dor. Só o exame confirma, e as duas podem existir ao mesmo tempo.
A fissura cicatriza sozinha?
Fissuras recentes podem cicatrizar com medidas simples. Quando os sintomas passam de algumas semanas ou voltam com frequência, a avaliação é recomendada.
O exame dói quando a fissura está ativa?
O exame é adaptado à dor. Muitas vezes a inspeção cuidadosa já permite o diagnóstico, e as etapas mais desconfortáveis são adiadas.