Dr. Henrique MouraColoproctologista · Ipatinga-MG Agendar

Fissura anal

Uma pequena ferida no canal anal que causa dor intensa ao evacuar. Na maioria dos casos recentes, cicatriza com tratamento clínico.

O que é fissura anal

A fissura anal é um corte ou ferida na pele que reveste o canal anal. Costuma surgir depois da passagem de fezes endurecidas ou de episódios de diarreia. A dor provoca contração do esfíncter anal, o que reduz a circulação no local e dificulta a cicatrização. Forma-se um ciclo de dor, contração e nova lesão.

Sintomas

  • Dor forte ao evacuar, descrita como corte ou queimação, que pode durar minutos ou horas.
  • Pequena quantidade de sangue vermelho vivo no papel.
  • Medo de evacuar, que piora a constipação.
  • Nas fissuras crônicas, um pequeno nódulo de pele na borda do ânus (plicoma sentinela).

Fissura aguda e fissura crônica

AgudaCrônica
TempoPoucas semanasMais de seis a oito semanas, ou episódios repetidos
AspectoFerida superficialFerida mais profunda, com bordas endurecidas e plicoma
Tratamento habitualClínicoClínico, toxina botulínica ou cirurgia, conforme o caso

Fissuras em posição incomum, múltiplas ou que não cicatrizam podem estar ligadas a outras doenças, como a doença de Crohn, e pedem investigação.

Tratamento clínico

  • Fibras e água para manter as fezes macias.
  • Banhos de assento com água morna, que relaxam o esfíncter.
  • Higiene delicada, sem atrito.
  • Pomadas que relaxam o esfíncter e analgésicos, quando prescritos.

Como complemento, pode ser usada o laser de baixa potência, uma aplicação que não dói e visa favorecer a cicatrização. Os estudos ainda são iniciais.

A maior parte das fissuras agudas cicatriza com essas medidas. O tratamento precisa ser mantido pelo tempo orientado, mesmo depois que a dor melhora.

Toxina botulínica

Em casos selecionados de fissura crônica, a toxina botulínica pode ser aplicada no esfíncter anal. Ela reduz temporariamente a contração do músculo, o que favorece a cicatrização.

O efeito dura alguns meses. A fissura pode voltar, e pode haver efeitos passageiros, como escape de gases. A indicação depende do exame e das características de cada caso.

Tratamento cirúrgico

Quando a fissura crônica não responde às outras medidas, a cirurgia pode ser indicada. A técnica mais usada é a esfincterotomia lateral interna, um pequeno corte em parte do esfíncter interno que reduz a pressão no canal anal.

É o tratamento com maior taxa de cicatrização. O principal risco é a alteração da continência, em geral para gases, que ocorre em uma minoria dos casos e é levada em conta na indicação. Em situações específicas, outras técnicas são preferidas.

Uso de laser

No tratamento cirúrgico da fissura, o laser de CO₂ pode ser usado como instrumento de corte. Ele não muda a natureza da cirurgia: os riscos, os cuidados e a possibilidade de recorrência continuam os mesmos.

Laser de CO₂ e laser de diodo são tecnologias diferentes, com usos próprios. Veja a página sobre laser na coloproctologia.

Recuperação e recorrência

O tempo de cicatrização varia de pessoa para pessoa e conforme o tratamento. A fissura pode voltar depois de qualquer um deles, principalmente se a constipação persistir. Manter o hábito intestinal regular é parte do tratamento.

Dúvidas frequentes

Como diferenciar fissura de hemorroida?

A fissura costuma causar dor intensa ao evacuar, com pouco sangue. A hemorroida interna costuma sangrar sem dor. Só o exame confirma, e as duas podem existir ao mesmo tempo.

A fissura cicatriza sozinha?

Fissuras recentes podem cicatrizar com medidas simples. Quando os sintomas passam de algumas semanas ou voltam com frequência, a avaliação é recomendada.

O exame dói quando a fissura está ativa?

O exame é adaptado à dor. Muitas vezes a inspeção cuidadosa já permite o diagnóstico, e as etapas mais desconfortáveis são adiadas.

Agendamento

Conteúdo revisado por Dr. Henrique Moura, Médico · CRM-MG 67487 · Coloproctologia · RQE 48294.

Agendar consulta pelo WhatsApp