
O que é o laser em cirurgia
O laser é um feixe de luz concentrada que, ao atingir o tecido, produz calor de forma controlada. Conforme o tipo de laser e a forma de aplicação, esse calor corta, vaporiza ou coagula.
O laser não é um tratamento em si. É um instrumento que o cirurgião pode usar, em situações específicas, no lugar de outros ou junto com eles. O resultado depende da doença, da indicação e da técnica, e não apenas do aparelho.
Tipos diferentes, usos diferentes
Laser de CO₂ e laser de diodo são tecnologias distintas. Têm comprimentos de onda diferentes, agem de maneira diferente no tecido e são estudados em procedimentos diferentes. Os resultados descritos para um não valem para o outro.
Laser de CO₂
É absorvido pela água dos tecidos e age na superfície, com pouca profundidade. Por isso é usado como recurso de corte e de vaporização, em procedimentos cirúrgicos selecionados.
É usado nestes procedimentos:
- Retirada de hemorroidas externas.
- Tratamento cirúrgico da fissura anal.
- Retirada de plicomas anais (excesso de pele).
- Algumas cirurgias de fístula anal (fistulectomias).
Nesses casos, o laser substitui o bisturi ou o eletrocautério como instrumento de corte. A cirurgia é a mesma, com cicatrização, cuidados e recuperação.
Laser de diodo
É conduzido por uma fibra óptica fina, o que permite aplicar a energia dentro do tecido.
É usado nestas indicações:
- Hemorroidas internas: a fibra é introduzida no tecido hemorroidário e a energia faz o volume diminuir ao longo das semanas, sem retirada do tecido.
- Fístulas anais: a fibra percorre o trajeto da fístula e a energia ajuda a fechá-lo, sem cortar a musculatura do esfíncter.
- Cistos pilonidais: depois da limpeza do trajeto, a energia é aplicada no seu interior, por incisões pequenas.
São técnicas para casos selecionados. Em fístulas e cistos pilonidais, a doença pode voltar, e em alguns tipos essa chance é maior do que nas cirurgias convencionais. Isso entra na conversa antes da escolha da técnica.
Laser de baixa potência
É outro tipo de aparelho, que não corta nem aquece o tecido. É usado como complemento no pós-operatório e no tratamento da fissura anal, num tratamento chamado fotobiomodulação. Veja em tratamentos menos invasivos.
O que o laser não muda
- Continua sendo cirurgia. Há anestesia, cuidados no pós-operatório e período de recuperação.
- Pode haver dor e sangramento. A intensidade varia conforme o procedimento e a pessoa.
- A doença pode voltar. A recorrência existe em qualquer técnica e depende, em grande parte, da doença e dos hábitos intestinais.
- Não é melhor para todos os casos. Em algumas situações o laser pode trazer vantagens. Em outras, a técnica convencional é a mais adequada.
Como a indicação é definida
A escolha da técnica vem depois do diagnóstico. Na consulta, o exame define qual é a doença e em que estágio está. Só então se discute quais tratamentos se aplicam ao caso, com as vantagens, os limites e os riscos de cada um, incluindo as opções sem laser e as opções sem cirurgia.
Dúvidas frequentes
Cirurgia com laser dói?
Pode doer. O laser não elimina a dor do pós-operatório. A intensidade depende do procedimento realizado e varia de pessoa para pessoa.
O laser substitui a cirurgia convencional?
Não de forma geral. Ele é uma opção em procedimentos selecionados. Para muitos casos, a técnica convencional continua sendo a indicada.
Qualquer pessoa pode operar com laser?
Não. A indicação depende do tipo e do estágio da doença, definidos no exame. Por isso a avaliação presencial vem antes da escolha da técnica.